Meu quarto, meu coração
Quando quero entrar em contato com meu coração, de forma prática e direta, descobri que uma grande dica é observar a arrumação do meu quarto. É alguma coisa assim, da sabedoria oriental, que diz que o macro contém o micro, que por sua vez reflete o macro.
Quando escolho um quarto, sempre considero a possibilidade de manter meus objetos da forma mais organizada possível. Então, há que se ter um grande armário, com muitas portas e gavetas, que é pra manter as roupas e os sapatos bem fáceis de serem usados de pronto. Também é assim que funciono emocionalmente no dia-a-dia profissional. Como trabalho com uma clientela diversificada, preciso, rapidamente, adequar um dos meus personagens internos àquela situação específica. Isso tudo com a maior criatividade e espontaneidade de que sou capaz, pois superficialidade não me faz bem.
Meu quarto também sempre tem muitas prateleiras. Costumo levar em minhas mudanças um pequeno investimento que fiz em prateleiras da TOK-STOK, pois nunca se sabe se o próximo quarto as terá disponíveis. Assim, posso expor meus diversos livros, companheiros de viagens, no tempo, nas noites de angústia inesperada, na estrada e na minha sede de compreender sempre mais o mundo e a vida.
Os temas dos livros são os mais diversificados possíveis. De parasitologia médica à astrologia do amor; de engenharia da qualidade ao psicodrama pedagógico; de nutrição humana à Ponte para o Sempre, de Richard Bach, meu autor predileto. Tal qual meu coração, que vive numa busca incessante de conquistar a unidade na diversidade.
Discos, fitas e cds misturam-se aos arquivos de documentos e artigos diversos sobre alimentação, nutrição e políticas públicas, pastas dos cursos que venho ministrando ao longo destes anos. Música não pode faltar quando estudo, escrevo, planejo uma aula, um treinamento, uma vivência. Razão e emoção sempre se mesclando, se integrando, transcendendo seus limites, que é a forma como encontro a serenidade que tanto valorizo.
Uma cama espaçosa, porque nunca se sabe quando virá o próximo companheiro de viagens e afetos. Para sempre, ou para nunca mais, quem sabe... Há que se ter o espaço disponível para que as coisas aconteçam, tal qual devam ser. É assim que aguardo sempre meu novo amor. E enquanto escrevo isso, posso ver meus gnomos à direita, com um sorriso matreiro de que o feriado promete, enquanto o fax, à esquerda, começa a me enviar uma mensagem inesperada, sabe-se lá de onde e de quem.
Quem sabe os anjos da Mirna Grizith estejam me enviando as próximas orientações amorosas, por escrito?
Ah... meu quarto, espelho vivo das minhas emoções, sonhos e fantasias!
(Josely Durães, aluna do Curso Prosa - Texto elaborado durante uma das Oficinas presenciais)
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