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“Quem sou eu...”: Como desenvolver esse tema em uma redação?

quemsoueu
Uma das solicitações mais frequentes, como tema de redação em escolas, provas de seleção, vestibulares e mesmo em pedidos de orientação no site Redação Criativa é o tema “Quem sou eu?". O assunto já foi solicitado em provas de grandes concursos e, por tratar-se de um autoretrato, uma exposição de si mesmo, muitas pessoas têm dificuldade em elaborar o texto.

A mais importante orientação que se deve ter em mente, ao escrever um texto com esse tema é que se trata de uma DESCRIÇÃO! Uma descrição de SI MESMO, um relato sobre as características que compões o seu ser, seu modo de agir, de pensar.


Que tal conversarmos sobre as características gerais deste tipo de produção textual? 

Segundo o autor Othon M. Garcia (em Comunicação em Prosa Moderna), "a descrição é a representação verbal de um objeto sensível - ser, coisa, sensação ou paisagem - através da indicação dos seus aspectos mais característicos, dos pormenores que o individualizam, que o distinguem. Isto não significa que descrever coisas consista em enumerar o maior número possível dos detalhes que compõem o objeto. É preciso assinalar os traços mais singulares, os mais salientes, dispondo-os de tal forma que, do conjunto, ressalte uma impressão dominante e singularizante.”  

Ou seja, a finalidade da descrição é transmitir a impressão que a coisa vista (ou imaginada!) desperta em nossa mente, através dos sentidos. Ela é mais do que fotografia. Porque é INTERPRETAÇÃO também, salvo quando se trata de descrição técnica, científica ou jornalística. Tente, sempre, captar a “alma” do objeto que você está descrevendo. Normalmente, o grande erro de quem faz uma descrição é ceder ao impulso inicial de dizer O QUE É a coisa descrita! 

A grande pergunta que deve ser respondida ao descrever, no entanto, é: COMO É a coisa? 

morangoImagine-se, por exemplo, contando a alguém que nunca viu um morango como é a fruta. Explore, então, todos os sentidos: ela tem peso (tato), volume (tato), aroma (olfato), cor (visão), gosto (paladar), além de despertar sentimentos e lembranças como uma fazenda da infância ou um doce da vovó (emoção ou "sexto sentido"). A percepção se faz com TODOS os sentidos, e não apenas com os olhos. Descrever, com clareza e beleza, é despertar no receptor a visão, a audição, o olfato. Como uma criança curiosa, PEGUE, em seu objeto. Fale dos sons que ele emana, dos cheiros, das sensações de calor, vultos , insinuações, saudades, possibilidades.


Você deve estar se perguntando: “Mas como eu faço tudo isso, falando de MIM MESMO?”.
Eis algumas dicas que podem ajudar:

- Procure ressaltar aquelas características que, em você, são as mais expressivas. Fisicamente, pode ser a cor dos olhos, os cabelos desalinhados, uma franja sempre fora do lugar, a mão sempre destacada pelos amigos como muito grande. Tente lembrar-se daquilo que normalmente faz com que você seja “reconhecido na multidão” – um jeito de falar; o excesso de gestos; um sinal na face.

- Tente imaginar que você está fazendo um “retrato falado”, para alguém que precisa localizar você. Como você seria encontrado, se tivesse que ser localizado na rua, em um show repleto de pessoas, em um shopping, em uma sala de espera?

- Estabeleça metáforas, comparações e misturas de sentidos, em sua descrição. Isso tornará o seu texto mais expressivo, poético e com estilo. Quer alguns exemplos clássicos? Lembre-se da Gabriela, de Jorge Amado. Para falar da cor de sua pele e de seu cheiro, o autor a chamou de “Gabriela, CRAVO e CANELA”. Imediatamente, não lhe vem a sensação do aroma doce do cravo e do tom forte da canela? Outro exemplo literário é Iracema, de José de Alencar. Ela é descrita assim: “a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado à sua cabeça o cheiro”.  Veja como a mistura de sentidos fornece-nos gostos, cheiros, dimensões e texturas provocantes, estimulantes.

- Imagine um interlocutor. Ou seja, pense que está descrevendo-se PARA ALGUÉM. Se for abordar aspectos subjetivos e emocionais, prefira, inclusive, pensar em alguém mais próximo de você. Isso lhe ajudará a compor um texto mais sincero, transparente e cristalino, um retrato, com menos receios de se expor.


quemsouPara lhe inspirar, eis alguns exemplos em que, de forma diferente, os autores falam de si. Depois deter lido esse artigo e visto os exemplos, que tal exercitar? Escreva sobre você e poste sua mensagem em nosso Mural! Mãos à obra!
 

“Eu não tenho culpa de comer quietinho
No meu cantinho boto pra quebrar
Levo a minha vida bem do meu jeitinho
Sou de fazer não sou de falar
Eu não tenho culpa de comer quietinho
No meu cantinho boto pra quebrar
Levo a minha vida bem do meu jeitinho
Sou de fazer não sou de falar...”
(Mineirinho – Grupo Só pra Contrariar) 

"Sou o Acis, com "C", natural de São Luiz Gonzaga, RS,  descendente de família de pequenos  agricultores, nasci e fui criado na região denominada Vista Alegre, local que tenho boas lembranças: o ronco do bugio ao anoitecer, a festa dos tucanos, das pombas do mato, das lebres, dos tatus, das pescarias de lambaris e jundiás, enfim onde a Natureza já aconteceu. Há alguns anos, saí daquele recanto e cheguei em Porto Alegre, objetivo: estudar e trabalhar, conseguindo graduar-me em Direito pela Unisinos, em 1993. Também tenho formação em Enfermagem do Trabalho e desenvolvo minhas atividades na área de saúde ocupacional e gosto desse trabalho. 
Como lazer, aprecio regar o jardim da minha casa, bons filmes, leitura de jornais, livros, revistas e principalmente a telinha na internet. Passear, pedalar e caminhar considero um bom lazer. Praia, sol, frio, chuva, tudo na hora certa é muito bom. Sonho com uma sociedade mais justa e que ofereça oportunidades para o desenvolvimento de todas as  pessoas. Afinal, todos merecem... só uns poucos não querem ver...
Obrigado pela visita. Volte sempre."
(Extraído de um Fórum de Universitários na web)


"Algumas pessoas afirmam que saber mentir é um dom natural de certas profissões. Nesse caso, as mesmas pessoas citam publicitários e advogados como ícones desse “folclore” à parte que me toca. O fato é que há tempos eu tenho certeza de que não vou voar se tomar RedBull, não fui a confidente da Barbie e nem encontrarei nenhuma vaca nas baladas porque eu também tomo Toddy. Incrível o poder da propaganda. Eu sei tudo isso, mas continuo consumindo esses produtos. Não só pela qualidade, talvez pelo sonho que a mágica propaganda levou a minha cabeça. Isso, nessa ordem ou, em ordem alguma.O mais interessante é que não existe a lâmpada mágica da criatividade. Ninguém compra revista pra ver anúncio, e nem chega cansado do serviço, liga a TV e espera ansiosamente os próximos reclames do “plim-plim”. Talvez aí o sonho se esconda. E sonho não tem lógica, tem desejo. Sonho pode ser surreal, mas não é mentira.Fico satisfeita por despertar sonhos e a vontade de ter algo melhor, mais moderno, mais próximo. Ter a certeza de que aquilo que vejo, é fruto do desejo muitas vezes inconsciente, mas que precisou daquele empurrãozinho de 30” para despertar. Imagine só as possibilidades ao alcance de nossas mãos. Critério indispensável, arte e ética. Pra dar certo, precisa de talento para aplicar a técnica. Eu permito ao meu sonho menos surreal a sua realização.Ao avesso assim, espero que com final feliz. Muito trabalho e algumas noites sem sono. À luz da nossa participação no show da vida que sempre apresenta algo inusitado e apaixonante, sonho aqui é desejo, lembra? Nenhuma mentira vai impedir essa realidade. Temos muito a fazer e a agora é a hora. Sem mais clichês para o momento, vamos à parte que (aff...) interessa."
(Ana Paula Maciel - Belo Horizonte, fevereiro, 2008 – Carta de apresentação de uma publicitária, pleiteando um cargo em uma agência)

"Já no lugar dos olhos, que eram belos,
tenho um buraco atônito e apagado;
Já rosas de gangrena me hão tocado,
comendo-me as raízes dos cabelos;

Já os dentes me caíram, amarelos;
Já o meu nariz é um osso cariado;
Já o meu sexo é um trapo amarfanhado;
Já o meu ventre são bichos aos novelos;

Já as minhas carnes moles despregaram;
Já a língua inútil se me apodreceu;
Já a terra se fendeu por me aceitar;
Já milhões de pés vivos me pisaram;

Filho do pó, já o próprio pó sou eu...
Mas, ao terceiro dia, hei de acordar!

(Poema de José Régio)

 


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