Redação Criativa

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Sexta-feira, 12. Junho 2010
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O verbo, em dois tempos!

Um bom exercício para quem ainda encontra dificuldades na produção textual é brincar com textos que já existem. Vamos exercitar? Observe a mensagem abaixo:

Léo

(Milton Nascimento e Chico Buarque de Hollanda)


leoUm pé na soleira e um pé na calçada, um pião

Um passo na estrada e um pulo no mato

Um pedaço de pau

Um pé de sapato e um pé de moleque

Léo

 Um pé de moleque e um rabo de saia, um serão

As sombras da praia e o sonho na esteira

Uma alucinação

Uma companheira e um filho no mundo

Léo

 Um plano de vôo e um segredo na boca, o ideal

Um bicho na toca e o perigo por perto

Uma pedra, um punhal

Um olho desperto e um olho vazado

Léo

Um olho vazado e um tempo de guerra, um paiol

Um nome na serra e um nome no muro

A quebrada do sol

Um tiro no escuro e um corpo na lama

Léo

 Um nome na lama e um silêncio profundo, um pião

Um filho no mundo e uma atiradeira

Um pedaço de pau

Um pé na soleira e um pé na calçada.

  

 

Viu, que interessante o poema acima? Trata-se de uma belíssima canção, interpretada por Milton Nascimento. Observe com mais atenção. Conseguiu perceber que falta alguma coisa na estrutura do poema acima?

Não identificou? Volte e analise com mais calma, ainda. Veja do que trata o poema. É a história de um personagem... Que tem nome, que realiza ações! Pronto! Está entregue o enigma! O que é que, na Língua Portuguesa, permite que percebamos uma ação? O verbo! Eu canto, você ouve, alguém grava, todos aplaudem. Todos esses verbos indicam pessoas realizando ações. No poema, entretanto, NÃO APARECE NENHUM VERBO!

Mesmo sem nenhum verbo, você conseguiu captar a essência de tudo o que aconteceu com Léo?



Veja, agora, outro texto:
 

 

Valsinha

(Chico Buarque/Vinícius de Moraes)

valsinha 

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar

Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar

E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar

E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar

E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar

Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar

Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar

E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou

E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou

E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais

Que o mundo compreendeu

E o dia amanheceu

Em paz.

 

 

E nesse segundo poema? É a letra de uma outra famosa e linda canção. Aqui, quase todos os versos terminam em verbos. A sensação é de movimento intenso, de história se desenrolando. Como um filme, repleto de imagens, em um enredo intenso. 

 

Seu exercício vai ser uma viagem em um dos dois poemas – ou nos dois, se você quiser enfrentar o desafio! Veja as opções abaixo e pratique. Depois, compartilhe aqui, no site, a sua produção. Mãos à obra! 

 

  1. Reescreva a história do poema 01. Utilize VERBOS, para reconstruir as frases e contar a trajetória do personagem Léo. Se achar necessário, mude estruturas de lugar, acrescente outras palavras. O importante é que os verbos assumam a importância de fornecer AÇÃO à sua narrativa! Compare, depois, sua produção com o texto dos autores. Depois, compartilhe aqui, no site, a sua produção. Mãos à obra!

    OU

  2. Reescreva a história do poema 02, SUPRIMINDO TODOS OS VERBOS. O enredo não deve perder a clareza e a compreensão. Tente manter a agilidade, a coerência e procure não alterar demais a estrutura. Compare, depois, sua produção com o texto dos autores. Depois, compartilhe aqui, no site, a sua produção. Mãos à obra!
 

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