Um bom exercício para quem ainda encontra dificuldades na produção textual é brincar com textos que já existem. Vamos exercitar? Observe a mensagem abaixo:
Léo
(Milton Nascimento e Chico Buarque de Hollanda)
Um pé na soleira e um pé na calçada, um pião
Um passo na estrada e um pulo no mato
Um pedaço de pau
Um pé de sapato e um pé de moleque
Léo
Um pé de moleque e um rabo de saia, um serão
As sombras da praia e o sonho na esteira
Uma alucinação
Uma companheira e um filho no mundo
Léo
Um plano de vôo e um segredo na boca, o ideal
Um bicho na toca e o perigo por perto
Uma pedra, um punhal
Um olho desperto e um olho vazado
Léo
Um olho vazado e um tempo de guerra, um paiol
Um nome na serra e um nome no muro
A quebrada do sol
Um tiro no escuro e um corpo na lama
Léo
Um nome na lama e um silêncio profundo, um pião
Um filho no mundo e uma atiradeira
Um pedaço de pau
Um pé na soleira e um pé na calçada.
Viu, que interessante o poema acima? Trata-se de uma belíssima canção, interpretada por Milton Nascimento. Observe com mais atenção. Conseguiu perceber que falta alguma coisa na estrutura do poema acima?
Não identificou? Volte e analise com mais calma, ainda. Veja do que trata o poema. É a história de um personagem... Que tem nome, que realiza ações! Pronto! Está entregue o enigma! O que é que, na Língua Portuguesa, permite que percebamos uma ação? O verbo! Eu canto, você ouve, alguém grava, todos aplaudem. Todos esses verbos indicam pessoas realizando ações. No poema, entretanto, NÃO APARECE NENHUM VERBO!
Mesmo sem nenhum verbo, você conseguiu captar a essência de tudo o que aconteceu com Léo?
Veja, agora, outro texto:
Valsinha
(Chico Buarque/Vinícius de Moraes)
Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.
E nesse segundo poema? É a letra de uma outra famosa e linda canção. Aqui, quase todos os versos terminam em verbos. A sensação é de movimento intenso, de história se desenrolando. Como um filme, repleto de imagens, em um enredo intenso.
Seu exercício vai ser uma viagem em um dos dois poemas – ou nos dois, se você quiser enfrentar o desafio! Veja as opções abaixo e pratique. Depois, compartilhe aqui, no site, a sua produção. Mãos à obra!
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Reescreva a história do poema 01. Utilize VERBOS, para reconstruir as frases e contar a trajetória do personagem Léo. Se achar necessário, mude estruturas de lugar, acrescente outras palavras. O importante é que os verbos assumam a importância de fornecer AÇÃO à sua narrativa! Compare, depois, sua produção com o texto dos autores. Depois, compartilhe aqui, no site, a sua produção. Mãos à obra!
OU -
Reescreva a história do poema 02, SUPRIMINDO TODOS OS VERBOS. O enredo não deve perder a clareza e a compreensão. Tente manter a agilidade, a coerência e procure não alterar demais a estrutura. Compare, depois, sua produção com o texto dos autores. Depois, compartilhe aqui, no site, a sua produção. Mãos à obra!
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